18.11.09

I'M BACK!

Um ano depois do último post do Sure You Will...

...estamos de volta com a já conhecida equipa de uma pessoa só.
Em breve os pensamentos desgarrados, as teorias sobre o excesso populacional, os comentários à política externa israelita e as divagações sobre os tempos modernos voltaram a este blog. Stay tuned

6.11.08

Recados de Israel ao Presidente-Eleito

«JERUSALEM (Reuters) - Israel said Thursday U.S. President-elect Barack Obama's stated readiness to talk to Iran could be seen in the Middle East as a sign of weakness in efforts to persuade Tehran to curb its nuclear program.

"We live in a neighborhood in which sometimes dialogue -- in a situation where you have brought sanctions, and you then shift to dialogue -- is liable to be interpreted as weakness," Foreign Minister Tzipi Livni said, asked on Israel Radio about policy change toward Tehran in an Obama administration.

Her remarks sounded the first note of dissonance with Obama by a senior member of the Israeli government since the Democrat's sweeping victory over Republican candidate John McCain in the U.S. presidential election Tuesday.

Asked if she supported any U.S. dialogue with Iran, Livni replied: "The answer is no."

Livni, leading the centrist Kadima party into Israel's February 10 parliamentary election, also said "the bottom line" was that the United States, under Obama, "is also not willing to accept a nuclear Iran."

Obama has said he would harden sanctions on Iran but has also held out the possibility of direct talks with U.S. adversaries to resolve problems, including the dispute over Tehran's nuclear ambitions.»

O homem acaba de ser eleito e já os israelitas estão a mandar recados...
Não vá ele pensar em ser um diplomata e resolver tudo a bem. Israel quer é ver o Irão a arder, ora essa. Não há cá espaço para diálogos que isso é para "meninos".

12.8.08

País egoísta; pais egoistas

Há uns dias dei comigo a pensar: "serei demasiado egoísta para ter filhos?".


Eu acho piada a miúdos com piada mas não acho graça nenhuma a bebés, não consigo ficar 5 minutos a olhar para aquelas coisinhas pequenas e paradas com um sorriso idiota na cara. São projectos de humano normais e vulgares, todos com características semelhantes. Só mais tarde vão ficar homens e mulheres com características distintas, com personalidade e razoamento.

Não consigo achar piada aos rituais e obrigações que andam à volta do bebé. Além disso pode haver um conflito no que toca ao dinheiro gasto em brinquedos para a criança e para mim próprio. Quando temos um bebé a vida muda, ficamos presos, limitados.


E isto tudo parece-vos chocante porque vocês adoram bebés, são tão queridos, ternurentos, blá blá... E soa muito egoísta não querer ter filhos. É o sangue que passa para uma nova geração... e quem disse que o meu sangue presta para alguma coisa?

E depois ouvimos todos os dias os políticos e grandes teóricos: "envelhecimento populacional em Portugal, na Europa, etc. Pode parecer que aquele que não quer ter filhos é egoísta, não quer dar um pouco de si para o futuro do planeta. MAS QUE FUTURO!?

Todos os dias ouvimos falar de poluição, aquecimento global, falta de recursos, crise nos alimentos, falta de população activa nos países "ricos", excesso populacional nos "pobres", falta de petróleo, etc.

Como é que podemos resumir todos estes problemas? Excesso de população.

Reparem no gráfico da população mundial nos últimos 1600 anos.


Cada bebé que aumenta a população é um destruidor de planetas em potência. É claro que não podemos deixar de ter bebés... Mas a solução para o envelhecimento populacional não é fazer bebés europeus ou norte-americanos, é abrir as fronteiras para os bebés asiáticos e africanos. E claro, melhorar as condições de vida na origem, impedir o crescimento insustentável da população, garantir a diminuição da população à escala mundial. Não é um problema de cada país mas é assim que tem sido visto, porque nenhum político ou empresário quer dizer que os potencias clientes/eleitores são excesso e fardo. Esgotaremos o planeta mas com estilo. Mais pessoas implicam novas necessidades, mais gente para trabalhar em produção de produtos supérfluos, mais gente para entreter outra gente, mais escravos, maior divisão entre ricos e pobres, entre milionários e miseráveis.

Apresento a contagem dos milhões de pessoas do planeta Terra. Reparem na velocidade a que estamos a procriar. Como um vírus.


Deixemos a treta de perpetuar a famíia, raça, espécie. Somos uma humanidade num planeta: a população tem de ser contada e gerida à escala mundial. As Nações Unidas não podem ignorar este problema e os governos não podem multiplicar as populações infinitamente.

Ter bebés pode ser um acto de egoísmo, depende do ponto de vista. É claro que o problema não está em ter um filho, está em ter mais filhos do que pais...

Vejam esta página. Basta actualizar algumas vezes a página para perceber a dimensão da tragédia...

8.8.08

Ossétia do Sul

O Tom Clancy perde assim a oportunidade de escrever mais histórias complicadas de Rússia vs. Geórgia. A guerra entre estes dois países está a aumentar de escala e a realidade torna-se mais complexa, mais feia, mais violenta do que qualquer "Ghost Recon" podia retratar.






5.8.08

a minha chávena de chá

Não me lembro da primeira vez que experimentei uma chávena dessa bebida quente mas detestei. Era um sabor estranho - parecia-me água suja. Os anos passaram e o lugar-comum de que o chá é bebida para gente doente foi desaparecendo. E chegou o dia em que eu havia de re-experimentar algo que não tinah compreendido antes. Aconteceu com Pink Floyd, Madonna e Quentin Tarantino - esperei pela altura certa para gostar de tudo isto - porque haveria o chá de ser diferente?

Experimentei diferentes tipos, sabores, misturas, etc. Procurei as melhores marcas e lentamente a bebida quente entrou na minha vida.

Não passa um único dia em que eu não beba uma chávena de chá, cuidadosamente preparada (o cuidado e empenho depende sempre do estado de espírito na altura). As minhas escolhas de chá dependem de vários factores: altura do dia, condição física, estado de espírito, companhia, etc. Numa típica situação de manhã tomo English Breakfast ou outro chá forte, chá preto puro - "wake up and smell the tea". Depois de almoço prefiro Ceilão ou chá verde (com limão ou menta). A noite cai e o Earl Grey é o melhor para as horas tardias - o sabor dos citrinos suaviza o que de outra maneira seria um sabor forte.

Se estiver numa disposição mais introspectiva o Earl Grey ou Lady Grey são os melhores para a meditação - observar a água a mudar de cor enquanto atravessa as folhas; sentir o calor da chávena; o fumo a subir e a invadir a alma. Quatro minutos depois temos a minha bebida preferida. Tem algo de espiritual - podemos sentir-nos fora de nós ("je suis an autre" quando bebo o meu chá sozinho). E é por isso que adoro beber chá sozinho. O tempo que as folhas ficam na água quente, a temperatura, e a maneira como a água cai sobre as folhas é muito importante para mim. Eu sei que a maior parte das vezes não faz assim grande diferença mas eu preocupo-me com os pormenores e há um factor psicológico no meu ritual.


É como uma oração diária e como eu eu não rezo, no sentido comum da palavra, há situações em que tenho este contacto com as coisas divinas - a hora do chá é uma dessas situações.

Se tens dúvidas experimenta por ti. E da próxima vez que estiveres prestes a pedir uma bica tenta algo diferente e não desprezes as sensações e sentimentos que podes tirar de uma simples chávena de chá quando apreciada no lugar certo na hora certa.

25.2.08

http://time-blog.com/looking_around/2007/10/so_realistic_its_almost_artist.html

19.2.08

Kosova!




Uma nação torna-se país! Isto, mais do que a teimosia de republicar cartoons provocatórios, isto é o espírito da Europa, uma lição para o mundo. Aqui fazem-se das vontades populares leis, aqui faz-se de uma nação um Estado.

Bem-vindo à Europa, Kosovo!

(este blog e o seu autor reconhecem a existência de Kosovo como país independente)

Só há um problemazito...
Países como a Espanha (e outros que como este guardam debaixo do seu governo central nações com vontade de independência) não reconhecem que uma nação se possa fazer Estado por vontade popular. E assim ainda há um longo caminho a percorrer desde este post , escrito em Junho passado.

18.2.08

PRLA


PRLA, originally uploaded by Enolough.


How many friends do you have that can listen to your problems, give you 50kms lifts, borrow you money for a tea, share his inner turbulences, borrow you a pro-level drumkit, books, movies, CDs? And of those how many would listen to your past, present and future stories, bear all your foolish philosophies, wait for you while you in the car while you put your shoes on, offer his house when you visit his city and show you the coolest places around?
Of those how many would even offer you a Flickr account knowing that you love to take shots and post them?

I only have one. (yes he is this guy sit on the cathedral bench waiting for me to take all my photo shots)

11.2.08

Incompreensões


Gaza Under Siege (Ben Heine), originally uploaded by Ben Heine.

Leiam isto:
The Middle East Blog, TIME

"there’s more to life than quick martyrdom and the slaughtering of innocents.", recomenda Tim McGirk, jornalista da TIME, ao combatente de Gaza.

responde-lhe um leitor:
"Also, your comment, (...) is very naive and for an experienced journalist devoid of any of the nuances of this conflict.

This young man is coming from the GAZA STRIP that has been occupied (and all that entails) for over 40 years and virtually under complete lock-down for the past two years - all this young man's lifetime. His past two years he's lived in a prison, with no control, with no hope of change for himself or his children-to-be."

6.2.08

??:?? ??/??/????


IMGP1829bb, originally uploaded by Enolough.


Há uma melancolia idiota a estas horas que é acentuada nos dias que se sentem como Domingo. Digo isto porque há dias-não-Domingo que podem sentir-se como tal, como a terça-feira de Carnaval, por exemplo.
E mesmo eu, que infelizmente não vou trabalhar amanhã, sinto o peso do Domingo nas costas.
Há um sono, um cansaço que parece vindo de uma grande viagem terminada numa grande discussão. Mas não houve nada disto. E o sono é apenas ultrapassado por uma estranha vontade de não dormir para não ser apanhado desprevenido pelo mundo que ainda gira. Enquanto dormimos esta bola azul roda vertiginosamente...
É nestas estranhas alturas, em que não me apetece comer embora tenha fome, em que não quero adormecer embora tenha sono, em que estou farto de toda a música que me chega aos ouvidos mas temo o silêncio, em que quero falar com pessoas mas não tenho paciência para ouvir ninguém...
...é nestas peculiares alturas que pergunto o que raio faço aqui? Não haverá um lugar no mundo onde precisem de alguém para ajudar numa revolução, num motim, numa revolta? A vida parece tão parada.
Oh Deus, porque me largaste logo aqui debaixo deste sol? Porque estou eu em 2008, em Portugal, se podia estar noutro ano qualquer em outro lugar?
Haverá alguma coisa a fazer por aqui que eu ainda não tenha percebido?
E tu que me lês, se precisares de ajuda, diz...

1.2.08

Amerika!



A quantidade de símbolos americanos misturados neste videoclip mostra que o refrão é bem verdade, somos todos americanos.

7.1.08

Couraçados e cabeças de ferro

Os Iranianos (Persas) ameaçaram barcos americanos no Golfo PÉRSICO
vide: Público

Acções como esta vão acontecendo cada vez mais frequentemente. O Irão quer mostrar que ainda manda lá em casa e a vizinha bisbilhoteira (EUA) vai espreitando com os seus navios-lançadores-de-mísseis-de-médio-alcance. Só para ver o que se passa ;)


E diz o Americano: "livra-te de me mandar embora das tuas águas outra vez! Ora agora... Já não se pode espreitar a casa dos outros de caçadeira na mão ou quê? Que sensíveis estes Persas..."

O facto de o estreito de Ormuz ser um ponto estratégico importante e uma espécie de porta do petróleo é pura coincidência. (sabiam que Ormuz já foi português?)

Uma guerra cada vez menos fria.

18.12.07

Ice Hotel 2


No title needed, originally uploaded by Mixmaster.


Não te pude dar um hotel de gelo
mas fomos patinar, fazer corridas de tobogan e gozar com o pai natal do guiness

Não é mau :P

A música liberta


En prisión..., originally uploaded by marmimuralla.


A semana passada fui tocar com a minha banda à festa de Natal de uma prisão, Caxias.
Kms de arame farpado, grades, paredes, guardas. Dois portões gigantes separam liberdade de reclusão.
Foi um choque ver como a vida ali é difícil e uma alegria contactar com pessoas que apesar de terem cometido erros (que qualquer um cometeria em iguais condições desde o nascimento até ao momento da falha) conseguem receber melhor que muitos senhores bem na vida. A verdade é que em muitos bares e festas fui mais mal tratado do que por aqueles criminosos.
Levou-me a pensar que a pena de morte é uma barbaridade, uma oportunidade deve ser sempre dada a quem falha. E a pena capital não resolve nada para a sociedade.
Na memória fica o músico de rua que elogiou tantas vezes a banda e que daqui a oito meses está fora e nos vai voltar a ver; o chefe dos guardas que adorou a bateria (embora seja mais da onda de baterias grandes, à Led Zeppelin); a directora tão simpática; a professora de música que tanto dançou; e a banda dos reclusos que tocou o "Amor neste Natal" na sua maneira muito própria. :) Não me vou esquecer do baterista que tantas vezes me ofereceu as suas baquetas e ofereceu-se para ajudar em tudo. O serralheiro que vai agora arranjar o pedal da bateria do Estabelecimento Prisional; o guarda que já tinha visto a banda, o psicólogo que queria era ouvir Iron Maiden, o teclista gigante que cantava João Pedro Pais melhor que o João Pedro Pais e todos aqueles que contribuiram para um dos concertos mais marcantes da minha curta carreira musical.
Em sete anos toquei com várias bandas e músicos, sempre gostei de tratar os que estão "atrás" e "à frente" como iguais. Na prisão eu fui tão músico como os outros, ainda que eu tenha tido escolas de música, baterias decentes, etc. e o meu homólgo só tivesse conhecido a bateria já dentro das redes de arame farpado.

24.11.07

hoje ia no autocarro...


solitude, originally uploaded by Alieh S.

...e enquanto lia a minha revista preferida (Time), que é americana, vi um texto sobre o Irão. Fala-se de forma fria sobre que sanções aplicar ao Irão, nas formas de estrangular a economia persa, etc. E de repente vejo uma foto de uma central de produção de Urânio que fica em Esfahan e lembrei-me da minha amiga Alieh, que lá mora, e da sua amiga, que também conheço, Mahdeyeh.
Fala-se descontraidamente da eventualidade de mais uma guerra, para dissuadir a Pérsia de ter um programa nuclear. Era só mudar o exército e os mercenários (ups, equipas de defesa contratadas) para o país vizinho. Mas é mais que isso, a cidade das duas amigas seria um alvo prioritário...
E aí, já na rua, fui olhando para os prédios, para o alcatrão, para as actividades e pessoas e imaginando as bombas caindo, em Lisboa. Não é provável que as bombas caiam em Lisboa mas é altamente provável que a cidade das minhas seja arrasada. E isto causou-me uma náusea, uma "dor de mundo", uma repulsa pela guerra, pela destruição, um ódio aos futuristas e ao seu nojento manifesto e uma certa simpatia pela leve denúncia de Heidegger à estetização da auto-destruição da humanidade.

"may your weapons rust in peace"

25.10.07

On Hitler's Highway

de Lech Kowalski
81´ França/Polónia 2002

"On Hitler's Highway" é um "road-movie" filmado ao longo da estrada construída pelos nazis nos anos trinta para facilitar a invasão da Europa de Leste. Um olhar sobre o passado e o presente da Polónia e sobre as relações entre o Oriente e o Ocidente. Ao longo da estrada, Kowalski filma pessoas que tentam sobreviver como podem: um velho vende cogumelos, algumas crianças lavam os pára-brisas dos carros, prostitutas búlgaras fazem uma pausa para fumar um cigarro, um homem que vende gnomos de jardim recorda com saudade os tempos do comunismo. Prémio Especial do Júri no Festival Internacional de Cinema Documental de Amesterdão em 2003, "On Hitler's Highway" é o segundo tomo da trilogia europeia do realizador, "The Fabulous Art of Surviving", começada em 2000 com "The Boot Factory" e concluída com "East of Paradise" (2005).

Hitler's Highway era dos filmes que eu mais queria ver no festival inteiro. Para castigo abateu-se sobre mim a maior indisposição e náusea de sempre. Ainda assim pude ver o filme até ao fim (embora me tenha sentado no ultimo lugar da fila, pronto a sair a qualquer altura).
Um bom documento da "Autoestrada", o filme parece ter inspirações no Direct Cinema ou na Nouvelle Vague francesa no que toca a tomada de vistas e técnica de captação de imagens. Na montagem as coisas são diferentes. A montagem é bastante actual, recorrendo a uma linguagem que conhecemos bem da televisão. Planos não muito curtos não muito longos, com ritmo moderado, etc. Não precisava de chocar pela montagem com o conteúdo que apresentava: campos de concentração, ciganos reclamando por um país para a sua nação, como a nação judaica teve, prostitutas que revelam os segredos da profissão, guias em bases militares de balística abandonadas (da URSS), etc.
O filme quase consegue o objectivo de nos levar à origem da estrada, aos anos 40 da Alemanha e Polónia, embora eu ache que lhe faltou libertar-se da actualidade e quotidiano das prostitutas para ir mais ao encontro de quem possa saber da origem da estrada de Hitler. O autor tinha um certo fascínio pelas raparigas, nota-se...

A casa do Barqueiro

de Jorge Murteira
63´ Portugal 2007

Paulino é o último barqueiro da Amieira do Tejo. Entre as duas margens do rio é ele quem assegura a ligação. Mas raros são os passageiros e a seu posto de trabalho será brevemente extinto pelo poder. Enquanto isso não acontece, Paulino faz da barraca sobre o rio a sua casa improvisada. Vive ao ar livre e só recolhe quando a chuva, o frio ou o vento apertam. Pede e resmunga uma nova casa em condições. Mas quem o ouve? No Inverno e no Outono, aguarda sozinho os clientes perto da fogueira sobre o vale do rio, atento à passagem dos comboios que raramente trazem fregueses. Na Primavera e no Verão, fica à mesa de sulipas, solitário, mas sempre disponível para partilhar um copo ou um petisco com um turista ocasional.



Hilariante! Não vamos para casa mais ricos de conhecimento ou deslumbrados com os enquadramentos (vi um dedo em frente à objectiva e tudo). Mas o trabalho de um ano e muita paciência deu um documentário original e divertido, graças ao rabugento barqueiro.
Engraçado como sem voz off, sem mostrar coisinhas, sem um guião sequer se consegue fazer um filme cativante para um público generalizado.

Nocturno

de João Nisa
27´ Portugal 2007

Descrição fragmentária do espaço abandonado da antiga Feira Popular de Lisboa, durante o período que decorreu entre o seu encerramento e a definitiva demolição das suas instalações. Um conjunto de longos planos fixos, atravessados por pequenos movimentos, apresenta alguns dos elementos existentes no local (fachadas encerradas ou semidestruídas, divertimentos parcialmente desmontados), reconstituindo através da sua sucessão um percurso no interior do recinto. Um trabalho que pretende forçar a concentração da percepção e explorar a relação entre a experiência temporal e o modo de apreensão visual e sonoro de um lugar específico.



O filme passou a sua mensagem por exaustão. Mais de 20 minutos de filme com pouco mais de uma dúzia de planos e todos fixos. Referi que os enquadramentos eram sempre de casas abandonadas na Feira Popular de Lisboa? Ficámos a perceber que um espaço onde houve movimento é agora um nada, um Urban Void dos que falava a Trienal de Arquitectura de Lisboa este ano.
Para os que queiram queixar-se "isso não é um filme" defendo desde já que não é uma projecção de slides. Há som, há imagem em movimento, só não há movimento na imagem em movimento. Tirando um gato que se atreveu a passar em frente da câmara e que deixou perceber que o filme tinha uma boa qualidade de imagem, como se pode ver na foto acima.

right now

  • Read: "The Other Side Of The Sky", Arthur C. Clarke
  • Watch: "Pulp Fiction", Q. Tarantino
  • Play: N/A
  • Listen: "greateSt HIT", Dream Theater